O projeto “Líquenes à Moda do Norte” é desenvolvido pela BIOPOLIS, em parceria com várias entidades, entre as quais a Associação ALDEIA, e pretende investigar novas formas de utilização dos líquenes no restauro ecológico, na certificação florestal e na valorização económica do Nordeste Transmontano, promovendo simultaneamente a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento sustentável da região.

Os líquenes são organismos compostos que resultam da associação simbiótica entre um fungo e algas ou cianobactérias. Conhecidos sobretudo pelo seu papel como bioindicadores da qualidade do ar, estes organismos poderão agora ganhar novas aplicações em áreas como a gastronomia, a cosmética natural e a tinturaria ecológica.
Entre as aplicações em estudo estão produtos de gastronomia, tinturaria e cosmética. Através da recolha responsável de líquenes e da sua transformação em matéria-prima, será possível desenvolver produtos de elevado valor acrescentado, alinhados com as tendências atuais de consumo ético e ecológico.
Além da componente económica e ecológica, o projeto pretende também reforçar o conhecimento científico sobre os líquenes em Portugal, com a criação da plataforma digital líquenes.pt e motivando a ciência cidadã através de plataformas como o iNaturalist.
O projeto, que decorrerá no Nordeste Transmontano, está organizado em quatro eixos principais: o mapeamento colaborativo da distribuição de líquenes emblemáticos das florestas da região; a realização de ensaios de transplantação para restauro ecológico; a utilização destes organismos como bioindicadores na certificação florestal FSC – Forest Stewardship Council; e a valorização económica dos líquenes em produtos de gastronomia, cosmética e tinturaria natural.
Estão ainda previstas ações de formação dirigidas às comunidades locais, bem como iniciativas para formação de novos especialistas em liquenologia.
Além da Associação ALDEIA, o projeto conta ainda com a participação da AEPGA – Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, Palombar – Associação de Conservação da Natureza e do Património Rural, da VERDE – Associação para a Conservação Integrada da Natureza, das empresas FLORADATA e BIOMONTANA, bem como do Centro Ciência Viva de Bragança. A iniciativa é financiada pela Fundação ‘la Caixa’, no âmbito do programa PROMOVE.